Antigo ministro das Finanças Miguel Cadilhe pede coragem política para mudar o Interior

O antigo ministro das Finanças Miguel Cadilhe lamentou hoje que ainda não tenha havido coragem política para avançar com propostas que discriminem favoravelmente o Interior do país, defendendo que agora se devem tomar medidas radicais.

“Algumas das medidas têm de ser radicais, para que o Interior verdadeiramente beneficie, senão estaremos a exercer uma espécie de hipocrisia política”, arranjando apenas “uns remendos para o Interior, para que tudo fique na mesma”, considerou.
Miguel Cadilhe falava aos jornalistas em Viseu, onde hoje foi apresentado como o coordenador do eixo das finanças públicas do Movimento pelo Interior. Os outros dois eixos prioritários, nomeadamente o do território e o da educação, ficaram a cargo do antigo ministro socialista Jorge Coelho e do professor aposentado do Instituto Superior Técnico Pedro Lourtie.
Na opinião de Miguel Cadilhe, as finanças públicas e os impostos “deverão ser um dos mais importantes instrumentos a favor do Interior” de Portugal.
“Historicamente, o país parte muito atrasado para isto. E o atraso é de tal modo que pode prejudicar o acolhimento das medidas”, alertou.
Apesar de tal parecer contraditório, Miguel Cadilhe explicou que não é, porque “o atraso é de tal modo grande que requer agora uma dimensão, um volume, um doseamento de medidas que pode tornar difícil o acolhimento e pode exigir uma coragem política muito acima daquilo que tem sido a prática”.
O antigo ministro admitiu que “não é propriamente fácil a discriminação fiscal a favor do Interior”, mas comprometeu-se a trabalhar para apresentar propostas de modo a que quem tem o poder político as possa ponderar.
Também Jorge Coelho considerou que as seis medidas centrais dos três eixos prioritários que o Movimento pelo Interior se propõe apresentar devem ser “necessariamente fortes, radicais, que levem a que exista mudança a sério no país nesta matéria”.
“Na área do território, há um conjunto de pessoas com quem tenho vindo a falar com experiência nesta área. Vamos trabalhar em conjunto para encontrarmos soluções para que possamos ir ao encontro das expectativas que estão aqui a ser criadas”, afirmou.
No que respeita à educação, Pedro Lourtie disse que “os diagnósticos estão feitos”, apontando problemas demográficos, a dimensão das instituições, a capacidade de atrair e fixar jovens.
Por isso, agora é importante perceber como é que o interior do país poderá ter “capacidade de atração de jovens, de diplomados, que possam trabalhar nestas regiões e que ajudem a viabilizar instituições”, acrescentou.
O presidente da Câmara da Guarda, Álvaro Amaro — um dos sete proponentes do Movimento pelo Interior — disse que haverá debates sobre estas matérias em cada uma das cinco NUT II, entre janeiro e maio. A primeira conferência acontecerá em Bragança e a segunda em Castelo Branco.
Depois, no final do primeiro semestre do próximo ano, realizar-se-á uma conferência nacional onde serão apresentadas as seis medidas dos três eixos que vão ser estudadas.

Fonte: DN.PT